Ciência e Religião

Elsa M. Glover, PhD.


XX – Os Milagres

 

Uma lei científica é o enunciado de um padrão de observações feitas no mundo. Às vezes,  observa-se que certas leis são válidas somente sob determinadas condições. Assim, algumas leis podem ser válidas somente a baixas temperaturas e outras somente a altas temperaturas. Algumas podem ser válidas somente para corpos microscópicos e outras podem ser aplicadas a corpos macroscópicos. Entretanto, sob condições idênticas, o mundo se comporta da mesma forma em todas as ocasiões. Um milagre pode ser definido como um acontecimento que é altamente improvável ou impossível de acontecer de acordo com as leis conhecidas. A Bíblia descreve muitos milagres. Como é possível abordá-los segundo uma visão científica? Em nossos dias, também há testemunhos fidedignos ocasionais de milagres. Os mesmos argumentos que aplicaremos aos milagres bíblicos poderão ser aplicados aos milagres atuais.

Alguns milagres bíblicos são alegorias e não se pretende que sejam considerados como registros de observações científicas. A história em que Adão e Eva são tentados pela serpente que fala, para que comam uma fruta e se tornem sábios (Gen. 3) é uma alegoria que descreve como os Espíritos Lucíferes (a serpente) fizeram para que a consciência da humanidade (Adão e Eva) se dirigisse para seu corpo físico, e sobre sua capacidade de tomar decisões sobre o que fariam ou deixariam de fazer. A história da mulher de Ló olhando para trás e se convertendo em uma estátua de sal (Gen. 19:26) é uma alegoria que mostra que, se as pessoas voltam para a maneira antiga de fazer as coisas, suas vidas se cristalizarão e não poderão progredir de modo algum. A história de Sansão, que possuía uma força milagrosa quando tinha sua vasta cabeleira e que perdeu essa força quando seus cabelos foram cortados, é uma representação alegórica do Sol, que ganha poder quando seus raios crescem na primavera e no verão e perdem esse poder quando seus raios se encurtam no outono e na primavera. A história de Jonas fugindo para o mar para evitar realizar a tarefa que Deus lhe determinava, arrojado do convés e tragado por uma baleia, liberado ileso do ventre dessa baleia e novamente requisitado para realizar a mesma tarefa, é uma alegoria que mostra que se a pessoa comete suicídio com a finalidade de escapar de certos problemas, esses mesmos problemas se apresentarão diante dele quando renasça. A história que afirma que Jesus nasceu de uma Virgem é uma representação alegórica do fato que Maria e José, mesmo tendo relações como marido e mulher, o fizeram sem paixão, conservando um estado mental puro e santo. Como essas histórias são alegorias, não há necessidade de explicar os milagres que nelas sucederam, do mesmo modo que não há necessidade de explicar como a fada madrinha de Cinderela pôde converter uma abóbora em carruagem.

Alguns milagres bíblicos não contradizem realmente as leis científicas conhecidas, mas revelam-se extraordinários no momento em que ocorrem. As leis científicas conhecidas permitiriam que um vento forte pudesse fazer retroceder o mar, porém, o fato de que o Mar Vermelho retrocedera no exato momento em que os israelitas quiseram cruzá-lo e logo após voltara à sua condição anterior (Ex 14:21-31) é extraordinário em sua cronologia. As leis científicas conhecidas podem permitir que ocorram raios, tormentas, terremotos, secas, pragas e outros desastres naturais e que as pessoas que ficaram enfermas às vezes se recuperem, porém, é extraordinário que as pragas tenham atacado o Egito quando o Faraó se negou a libertar os israelitas (Ex. 7-12), que a terra se abriu e tragou as tendas de Coré e a outros que haviam se rebelado contra Moisés, enquanto que nenhum israelita fiel ficou ferido (Num. 16). É igualmente extraordinário que os filisteus tenham sido castigados com tumores enquanto retiveram a Arca da Aliança (I Sam 5), que quando os israelitas atrelaram vacas a uma carroça carregando a Arca, elas tenham se dirigido diretamente para a terra dos israelitas (1 Sam 6), que Uzá tenha caído morto imediatamente após tocar a Arca (2 Sam 6-7), que o fogo celestial tenha consumido um sacrifício que Elias tenha oferecido (1 Reis 18:38), que Geazi tenha sido castigado com a lepra quando aceitou o pagamento de Namaã por ter curado Eliseu e Naamã da lepra (2 Reis 5), e que muitas pessoas tenham sido curadas quando tocaram as vestes de Cristo ou quando Cristo os tocou. Estes milagres indicam que Deus (ou os seres superiores em geral) trabalha habitualmente de acordo com as leis físicas. Se algo necessita ser destruído ou algumas pessoas castigadas, o procedimento mais fácil ou mais conveniente para que Deus leve a cabo seu intento é o de fazer cessar aquelas correntes de energia que mantêm em atividade as cadeias físicas de causa e efeito.

Alguns milagres parecem contradizer as leis científicas conhecidas. Uma explicação para essa contradição pode ser que as condições tenham variado, com padrões de operação diferentes dos anteriores. No livro do Gênesis (5-9), sete pessoas são citadas (Adão, Sete, Enós, Cainã, Jared, Matusalém e Noé), todas as quais viveram mais de novecentos anos. Uma investigação clarividente mostra que os corpos físicos estavam tão sujeitos ao envelhecimento como estão hoje, mas, naqueles dias, um pai era capaz de passar suas memórias a seus descendentes e assim o pai “vivia na memória” de seus descendentes durante certo número de gerações. Já que a condição necessária para transmitir esse tipo de memória (fundamentalmente, o matrimônio dentro de uma pequena tribo ou família, conforme mostra o CONCEITO) não está mais presente, deixaram de existir essas vidas “prolongadas”.

Outra razão pela qual os milagres podem contradizer as leis científicas pode estar em uma lei desconhecida até o momento. Os clarividentes, com capacidade de ver nos mundos espirituais e, portanto, de ver as pautas de funcionamento desses mundos e como esses mundos superiores influem no mundo físico, podem ampliar o conjunto de leis conhecidas, de modo que o que inicialmente parecia ser milagroso logo se torna compreensível. Os clarividentes vêem que, nos mundos superiores, o passado e o futuro existem simultaneamente com o presente. Assim, podem compreender como os profetas eram capazes de ver o futuro e como a consciência de alguém pode permanecer em um momento determinado ou mover-se para trás no tempo para fazer com que o Sol e a Lua pareçam manter-se imóveis (Jos.10:11-14), ou ainda fazer com que a sombra do Sol pareça retroceder alguns graus em um relógio de Sol (2 Reis 20:9-11). Os clarividentes podem projetar sua consciência de modo que possam ver coisas que não estão em linha com a visão física. Deste modo, podem compreender como Eliseu soube que Geazi havia recebido um pagamento imerecido de Namaã (2 Reis 5:26), como Cristo pôde dizer à mulher samaritana na fonte tudo sobre sua família (João 4:17-19) e pôde dizer a Natanael que ele já havia se sentado antes ao pé de uma figueira (João 1:47-50) e pôde dizer ainda a seus discípulos onde lançarem suas redes para enchê-las de peixes (João 21:4-14).

Nos mundos espirituais, o clarividente pode ver os arquétipos, segundo os quais todas as coisas são feitas, e os diferentes tipos de vibração que trazem ao ser diferentes tipos de material da Terra (Iniciação Antiga e Moderna). Assim, ele vê como os tipos de vibração podem ser modificados de forma que as pedras possam ser convertidas em pão e a água em vinho ou o alimento criado a partir do ar. Pode compreender então como o maná pode surgir do nada (Ex. 16:14-35); como o azeite e a comida da viúva podiam ser repostos continuamente (1 Reis 17:14-16), como Cristo pôde converter a água em vinho (João 2:1-11) e como Cristo, a partir de sete pães e uns poucos peixes, foi capaz de alimentar quatro mil homens com suas mulheres e filhos (Mat. 15:32-38). Quando o arquétipo se mantém unido mesmo ante o fogo, então qualquer um pode caminhar sobre o fogo sem se queimar, como o fizeram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dan. 3:19-27). Quando o arquétipo de um corpo humano perde sua energia vibratória, a pessoa morre. O clarividente é capaz de ver como um arquétipo esgotado pode ser revitalizado e como o espírito separado do corpo pode regressar ao mesmo e, assim, o morto ser devolvido à vida. Desse modo, é compreensível como Elias fez voltar dos mortos o filho da viúva (1 Reis 17:17-24), Eliseu, o filho da sunamita (2 Reis 4:18-37) e Cristo, o filho da viúva (Lucas 7:11-17).

À medida que os homens fazem cada vez mais observações, tanto físicas como clarividentes e delas obtêm mais compreensão sobre as leis que regem o universo, vêem que fenômenos previamente considerados como milagres expressam-se em harmonia com essas leis. Cada novo conjunto de observações, entretanto, dá origem a novos fenômenos sem explicação e assim leva os cientistas a buscarem novas explicações. Uma máxima oculta diz que “um véu atrás do outro é levantado para se encontrar um véu após o outro por detrás.”


REFERÊNCIAS

Heindel, Max. Ancient and Modern Initiation. Oceanside, CA: The Rosicrucian Fellowship, 1931.

Heindel, Max. The Rosicrucian Cosmoconception. Oceanside, CA: The Rosicrucian Fellowship, 1973.

Cap. XXI – Aumentando Nosso Poder  

 

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